Tenho certeza que são pouquíssimos os
homens no mundo que realmente entendam a Matrix. Os poucos que entendem
seu conceito são os que já tiveram algum contato com a obra de Nessahan
Alita ou com os blogs da Central Masculinista. Apesar
do conhecimento da existência da Matrix já estar se espalhando, não
encontrei ainda nenhum artigo detalhando especificamente o que é a Matrix.
Veja o diálogo entre Neo e Morpheu no filme Matrix:
Neo: O que é Matrix?
Morfeu: Você quer saber o que é Matrix? Matrix está em toda parte [...] é o mundo que acredita ser real para que não perceba a verdade.
Neo: Que verdade?
Morfeu: Que você é um escravo, Neo. Como todo mundo, você nasceu em cativeiro. Nasceu em uma prisão que não pode ver, cheirar ou tocar. Uma prisão para a sua mente.
O filme Matrix é praticamente uma analogia ao Mito da Caverna de Platão (ou Alegoria da Caverna).
Para os que não conhecem, a alegoria da caverna mostra seres humanos
que cresceram em uma caverna, acorrentados de modo que não pudessem
mudar os olhos de direção, de que sempre veriam sombras do mundo
exterior que se projetavam nas paredes da caverna. Eles não sabem que existe um mundo fora da caverna e por isso tem como sua única realidade aquelas sombras. Imagine que um daqueles consiga se libertar da corrente e sair da caverna. Ele se assustaria ao ver pela primeira vez o mundo
e seu conhecimento da realidade seria um pesadelo no início (assim como
tudo que é novo e contrário ao que acreditamos) mas com o tempo se
acostumaria e tentaria mostrar aos outros o que descobriu. E as reações
seriam sempre negativas, indo do deboche à violência. Essa
alegoria foi usada por Platão para mostrar que o homem vive em
ignorância e toma muitas coisas por verdade universal e que é importante
conseguirmos superar essa ignorância.
O cenário é o mesmo nos relacionamentos. Desde o nascimento somos condicionados a viver dentro da Matrix, a tomá-la como uma única verdade universal e acreditar em suas ilusões. É a Matrix a principal causa do sofrimento emocional do homem,
de levá-lo a crer em ilusões para depois arrancá-lo destas mesmas
ilusões levando-o ao desespero, ao fundo do poço e, muitas vezes, até
mesmo ao suicídio.
A Matrix antecede, ultrapassa e é criadora do Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley.
Leva homens a usarem o nome de Deus nas cruzadas com a mesma rapidez
que os leva ao ateísmo. Leva homens ao altar com juras de amor eterno e
mulheres aos prostíbulos e capas de revistas como Playboy com promessas
de fama, fortuna e felicidade. É o produto criado pelas
fraquezas do ser humano, pela dominação do forte pelo fraco com mentiras
e ao mesmo tempo é criadora de todas essas fraquezas, mentiras e
traições. Enfim, a Matrix é a mãe do relativismo, da hipocrisia, das
ilusões. Sua força é proporcional à fraqueza e ao apego do homem pelas
ilusões.
Nos relacionamentos, a Matrix é a
responsável pela crença no amor romantico, em um relacionamento
tranquilo, na pureza feminina. O matrixiano acredita com todas as forças que a mulher é um ser angelical, livre de falhas, perfeito em cada molécula de seu ser.
As correntes da Matrix prendem o matrixiano com ganchos que perfuram a
carne e a alma e inebriam os sentidos, levando o homem ao fundo do poço,
ao sofrimento e à devastação da própria vida por migalhas de um amor
que nunca existiu. As ilusões são tão tentadoras que mesmo atos pérfidos
que refletem o lado obscuro das mulheres são ignorados, afinal, é quase
impossível dar as costas para uma doce ilusão, mesmo quando estamos
conscientes do absurdo presente na mesma.
O matrixiano despe-se de sua honra, de seu orgulho e, enfim, de seu amor próprio.
Ele se humilha, se rebaixa e se entrega ao sofrimento da mesma forma
que um mártir caminha para o próprio sacrifício. O sofrimento causado
pela Matrix ofusca os objetivos e ambições de um homem. O matrixiano se
deixa levar por paixões profanas querendo se sentir vivo para no final
apenas conseguir essa sensação através da dor que sente. A
matrix é reforçada no coletivo por filmes e livros de romance, músicas,
poemas e frases de impacto que colocam o “amor” não retribuído acima do
amor próprio. Músicas que idolatram o feminino, a paixão, as
sensações, letras que dizem que é “melhor sofrer por amor do que nunca
ter amado”, filmes onde a mulher traí o homem com outro e ainda assim
aparece a cena clichê do apaixonado correndo atrás dela no aeroporto,
são apenas alguns exemplos.
Mulheres não são seres
angelicais e perfeitos. Assim como em todo ser humano, a mulher tem seu
lado obscuro e esse lado obscuro é ainda mais sombrio e intenso que o do
homem. Elas não são mais sensíveis do que nós, como tentam nos
fazer acreditar. Na maior parte das vezes a sensibilidade feminina não
passa de uma máscara, uma forma de lograr com o instinto de proteção
masculino. Desde cedo elas aprendem por meio de observação e prática que
com uma voz suave conseguem tirar tudo de um homem e que se não
conseguem algo com uma voz doce, podem conseguir com o choro (se tudo
falhar, elas sabem que ainda podem usar a sedução). Nós homens, ao
contrário, somos obrigados desde cedo a nos fechar por dentro. Qualquer
demonstração de sentimento é ridicularizado e visto como fraqueza
emocional, mesmo pelas doces mulheres. Um homem que chora é considerado
desequilibrado ou até mesmo boiola. Por esse motivo os homens ainda em
idade tenra aprendem a controlar melhor seus sentimentos, mas isso não
significa que não os tenha. Na verdade os sentimentos masculinos são
ainda mais intensos que os femininos. Apenas os homens são
verdadeiramente românticos e capazes de amar uma mulher de forma
incondicional, enquanto a mulher nunca ama simplesmente pelo fato de ser
amada, mas por algum interesse. A mulher se vê como um prêmio e
acredita com todas as forças que o homem apaixonado é um ser débil e
fraco e que justamente por seus sentimentos não a merece, pois ela
apenas prêmia os que considera superiores, que segundo sua visão
distorcida são os cafajestes, marginais, playboys etc. São
sadomasoquistas por natureza, mesmo que não percebam conscientemente.
Sentem prazer ao saber que estão fazendo um homem sofrer ao mesmo tempo
em que sentem prazer quando sofrem na mão de um cafajeste. Em uma relação o homem busca a tranquilidade, enquanto a mulher busca emoções loucas e intensas.
Muitas, enquanto não encontram o “amor
bandido” que tanto sonham, se valem das desculpas mais imbecis para
brincar com os sentimentos do matrixiano, levando-o ao sofrimento e a
loucura, o que é uma coisa perigosa não apenas para o matrixiano, mas
também para a espertinha em questão. O relativismo matrixiano chega ao ponto de impedir ambas as partes de diferenciar dor e prazer.
Porém, não é necessário que o homem saia da Matrix para uma mulher
desonesta se dar mal. Muitas vezes um matrixiano bonzinho pode chegar ao
limite e estourar, levando tudo a uma conclusão desastrosa (um exemplo
são os crimes de honra, onde o corno assassina a adultera ao descobrir a
traição). Podemos concluir que o relacionamento e a própria Matrix é,
tanto para um homem apaixonado de bem quanto para uma mulher promíscua e
desonesta, como a Caixa de LeMarchand (também conhecida como
Configuração dos Lamentadores), que promete os prazeres do Céu e do
inferno. E infelizmente a maioria das mulheres não quer saber qual
desses “prazeres” receberá, contanto que os receba.
Para sair da Matrix o homem não
deve apenas enxergar a realidade, mas também “morrer em si mesmo”. Matar
suas emoções, seus medos e inseguranças, seu ego. O homem deve
transcender as paixões mundanas, as emoções profanas, o narcisismo, o
medo de morrer sozinho. Um homem de verdade é racional e coloca seus
objetivos e metas acima de seus sentimentos. As mulheres não devem ser
NUNCA o principal objetivo de um homem e sim uma companheira que estará
ao seu lado apoiando-o na luta por seus objetivos. Se não for assim,
então é melhor ficar sozinho, lembrando o ditado popular: “antes só do
que mal acompanhado”.
Também devemos lembrar que a
Matrix não ofusca o homem apenas nos relacionamentos, mas em tudo na
vida, incluindo estudos e trabalho. Um exemplo da “Matrix
profissional” é a tal meta comum hoje de muitos homens que desejam
apenas se formar para prestar um concurso público ou começar a trabalhar
o quanto antes para comprar uma casa, se casar e ter filhos e passar o
resto da vida se matando em um emprego que odeia por um salário medíocre
onde sua capacidade não é valorizada e tudo o que resta são os fins de
semana assistindo os programas chatos e imbecis de domingo dos canais
abertos. A “matrix profissional” impede o homem de tentar criar algo
novo, de se aventurar no mundo dos negócios, de tentar abrir sua própria
empresa. O trabalhador matrixiano se amarra fortemente na ilusão da
segurança de um trabalho com carteira assinada e passa o resto da vida
sem se livrar das amarras, preso com suas asas cortadas dentro de uma
gaiola, invejando os que são livres para alçar vôo e alcançar o céu.
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